segunda-feira, março 20, 2006

O Último Post…



Este será o último post que colocaremos no blogue. Fomos aconselhados a não escrevermos mais para aqui, de forma a podermos desligar-nos e despojar-nos da vida que aí tínhamos, e dedicarmo-nos verdadeiramente à vida que aqui temos, de leigos missionários. Não é um adeus, mas sim um até breve. Gostávamos de agradecer a todos os que, com os seus comentários e visitas (cerca de 2500 em 3 meses, muito mais do que estávamos à espera), contribuíram para que nos sentíssemos acompanhados nesta missão que decidimos empreender por terras de África.

Até breve…:)

Carla, Rita e Ricardo

domingo, fevereiro 05, 2006

Um aniversário para nunca mais esquecer!


Estava delicadamente a ser embalada por um sonho bonito, quando de repente, o despertador tocou… Eram 5h30 da manhã! Ora toca de vestir uma roupa confortável, comer uma taça de cereais e ir à aventura de um aniversário diferente.
A Rosa, o Pedro, o Ricardo e eu fomos até ao Hospital de Lichinga (o mais belo e limpo de todo o planeta!). É um dos locais de lazer preferidos das nossas amigas baratas africanas. Aliás elas são as principais companhias dos doentes do hospital. Mas, não são as únicas presenças… A amiga sujidade e a amiga fedorenta também por lá andam…. Ou melhor andavam! Porque nós e alguns trabalhadores da Medicina I tratámos-lhes da saúde… Todos os doentes, com a ajudas dos seus acompanhantes, pegaram nos seus colchões e nos poucos pertences, e lá foram eles… Apanhar um bocadinho de ar puro para fora do edificio onde estavam confortavelmente instalados (e claro deitados nos seus colchões!). Enquanto isso nós lá dentro ficámos a trabalhar… Foram cerca de 5 horas a limpar, esfregar e lavar até tudo ficar perfeito e com as minimas condições (afinal estamos a falar de um dos edificios do hospital da Capital de província do Niassa!).

Claro que depois desta aventura o dia só podia correr bem… E assim foi…

Depois de descansar algumas horas, porque a noite anterior na discoteca tinha sido bastante animada, uma surpresa decidiu bater-me à porta!
Era final de tarde e, realmente reparei que, o Ricardo e a Rita não saíam da cozinha e só andavam aos segredinhos, enquanto eu estava a atender os telefonemas vindos de Portugal, que docemente vinham aconchegar o meu coração e me deixavam com uma lágrima que desejava conhecer outro destino...
Até que percebi pela agitação que algo se preparava para acontecer…
E não é que aconteceu mesmo!!!
De repente, os nossos vizinhos, do projecto de saúde, apareceram em nossa casa. Simpaticamente ofereceram-me umas palavras amigas e um miminho africano que me deixaram muito contente.
Passados alguns instantes, outros convidados foram aparecendo: amigos nossos que o Ricardo e a Rita convidaram para a humilde festa surpresa!
Resultado de tudo isto: Eu, com aquele sorriso de felicidade!
Jantámos, cantámos os parabéns, fizemos um brinde especial e depois a festa verdadeira chamou por nós… Pusemos música tipicamente Moçambicana (a famosa passada), os meninos perderam a vergonha, fizeram um convite especial às meninas e dançámos, dançámos, dançámos pela noite dentro… Alegria e a boa-disposição tomaram conta de todos nós!

Certamente este será um dos aniversários que não vou esquecer, porque passei momentos muito felizes... Claro que só foi possível com a amizade especial da Rita e do Ricardo, dos enfermeiros, dos amigos de cá e claro de todos os que me telefonaram, mandaram mails ou simplesmente pensaram em mim!


Obrigada a todos por terem tornado este aniversário tão especial e único…

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

“I’m the King of the World!!!”

A expressão não é minha, por isso se encontra entre aspas. No entanto, o sentimento que o Leonardo DiCaprio fingiu ter quando subiu à ponta da proa do Titanic foi o mesmo que eu senti domingo, quando subi ao Monte Unango.
O dia começou cedo, com um sol que brilhava como há muito não acontecia em Lichinga (bem diferente da neve que vocês por aí têm…..:) ). Os objectivos estavam traçados há muito: passear e descomprimir. Assim, eu, o grupo de médicas e enfermeiros nossos vizinhos e o Nuro, um amigo que aceitou fazer de guia, partimos em direcção ao Monte Sanga (só mais tarde viríamos a saber que subimos o monte errado…).
A viagem até lá foi fantástica: o sol brilhava na nossa cara e as paisagens eram, como já se tornou um hábito por aqui, deslumbrantes. Parámos no caminho para comprar mangas e tirar fotos a uma série de miúdos que ainda não devem acreditar como é que existem pessoas com uma cor de pele tão diferente da deles. À medida que nos afastamos da cidade, a reacção deles vai passando da indiferença para a brincadeira, até chegar ao puro medo (isto nas aldeias mais afastadas da civilização acontece mesmo…).
Chegámos ao sopé do Monte Unango e admirámos, extasiados, o imponente monte que se colocava perante nós. Começámos a subida e perdemos, por cansaço, dois elementos do grupo: a Dra Odília e a enfermeira Cândida. Os trilhos eram inexistentes, pelo que nos víamos obrigados a desbravar o capim que, crescido, nos tapava quase por completo. Continuámos a subir até chegarmos a um penedo que, isolado, se erguia do resto da paisagem. Ao chegar ao seu cimo (depois de alguma escalada), a única expressão que se me ocorria dizer era mesmo: “I’m the king of the world!!!”. A paisagem que se colocava perante nós era de todas as formas arrasadora, imponente, brutal, fantástica e todos os outros adjectivos parecidos com estes (a foto pode dar uma ajuda a perceber). Em Portugal os montes normalmente aparecem em locais montanhosos. Aqui não: erguem-se no meio da planície, como vigias que, do alto, guardam a terra que lhes pertence. Assim, a nossa vista pode, em dias claros como o de domingo, estender-se por quilómetros em nosso redor. Sentimo-nos no topo do mundo, como se nada mais houvesse entre nós e Deus. Só dava vontade de nos atirarmos e sermos levados pelos anjos que, em braços, nos levariam até Deus. Mas como era dia de descanso e os anjos não deviam andar por ali resolvi deixar o bungee jumping (sem bungee) para outro dia e continuámos a subida. Uns metros acima decidimos, devido ao avançar da hora, deixar a subida por ali e voltámos para baixo. A descida foi ainda mais divertida que a subida (como é normal, não é, amigos da cascalheira???), porque a terra húmida e escorregadia dava para fazermos autêntico surf pela encosta abaixo. Claro que também se praticou algum sku, porque afinal a polivalência é sempre algo a estimular num desportista…
A viagem de regresso foi feita também a tirar fotografias, como seria de esperar. É que, para piorar a pancada que tenho com as fotos, agora tenho uma vizinha com uma pancada parecida ou pior e com uma máquina bem melhor. Resultado: mais de 400 fotos tiradas num passeio de um dia…lol.
Termino utilizando um pequeno termo de comparação para o que hoje vivi (apesar de apenas alguns poderem perceber o digo): nem no teleférico em Kandersteg fiquei tão abismado com a paisagem como naquele monte…

domingo, janeiro 15, 2006

Como se fosse a primeira vez…

Apesar de ser um jovem, já alguma experiência acumulada ao nível da catequese. No entanto, ao dirigir-me para a Cadeia Provincial do Niassa para o meu primeiro dia de catequese, estava mais nervoso do que na minha primeira reunião de pais… não sabia o que ia encontrar, apesar de já conhecer alguns deles de anteriores visitas com a Leonor (a antiga leiga que lá trabalhava), principalmente porque muitas vezes criamos preconceitos que não nos deixam pensar o melhor das pessoas. Estava com alguma curiosidade para ver como seria recebido e como é que eles iriam tratar-me.
Ao entrar, encontrei o director que me desejou boa sorte e me disse que estava tudo preparado.
Ao chegar perto dos guardas, tive que esperar enquanto reuniam toda a gente. Entrei e encontrei uma sala de aula: todos os presos se encontravam sentados em esteiras, em filas, como na escola. À minha espera estava uma cadeira, onde me deveria sentar para dar a catequese. Virei-me para o preso que a segurava e disse-lhe que preferia sentar-me no chão com eles. Ele olhou para mim espantado e disse-me que o melhor mesmo era sentar-me na cadeira. Aceitei, ainda que contrariado, e sentei-me.
Todos os olhares me fixavam, expectantes, à espera de ver o que vinha daqui. Comecei por perguntar-lhes os nomes e de onde vinham. No final, estava a sentir-me tão mal por estar numa posição mais alta em relação a eles que lhes sugeri sentarmo-nos todos em roda, para podermos olhar uns para os outros. Apesar de surpreendidos por um branco se querer sentar com eles na esteira, acederam ao meu pedido. Ao sentar-me fiquei com uma zona de segurança criada à minha volta: ninguém se sentou ao meu lado, pelo que sugeri aos presos mais próximos que se chegassem mais, de forma a alargarmos a roda.
Começámos onde a Irmã Fernanda tinha terminado: na catequese sobre a oração. Não tinha nada preparado, mas como Deus não me costuma deixar desamparado nestas alturas, comecei a falar sobre o Pai-Nosso e a importância dessa oração, e o Espírito Santo fez o resto. Dissecámos em conjunto a oração e apercebemo-nos de quão maravilhosa mas ao mesmo tempo exigente ela é. Dos 30 catequisandos que lá se encontravam, apenas 7 ou 8 participavam (muitos deles devem ter tido muita dificuldade sequer para me compreender, quanto mais para participarem), o que até costuma ser normal nos grupos a que dou catequese (certo, meninas e meninos do 10º ano???? :) ), mas os que o faziam falavam daquilo que sentiam, o que me deixou bastante contente, uma vez que só falando do que se sente é que conseguimos perceber o que temos de alterar em nós mesmos.
Depois marquei o trabalho de casa: como a oração individual é algo de pessoal e intransmissível e não se compactua com fórmulas pré-concebidas, pedi que cada um escrevesse a sua versão do Pai-Nosso.
No final pedi que cantassem uma canção, mas com uma condição: que me traduzissem o que diziam, para que quando estivesse a cantar soubesse o que estava a dizer ou pelo menos a ouvir. E assim foi:

Thumizani zimu wanu Ambuye
Wana Wanu afuna mbebere
Musarora Satana agonjese
Cuwala cwanu kohoneke Panu

Mandai Senhor o Vosso Espírito
Que nós não queremos que o Satanás entre em nós
Somos pecadores, mas queremos receber a Tua Luz

Penso que não são necessárias mais explicações. Saí com uma certeza: para a semana estou lá, com muito mais ânimo e muito menos vergonha. Ah pois é…….:)

Aqui o Pai Natal chegou mais tarde.......

Aqui em Lichinga o Pai Natal chegou com uns dias de atraso, mas veio e ainda bem que sim. Muito obrigado primas e afilhado querido pelas prendinhas, gostei imenso...:)

terça-feira, janeiro 03, 2006

Passagem de ano em Lichinga: Lago, matope, dança e muita alegria…

Começo a ficar um bocado farto, e imagino que vocês sintam o mesmo, de dizer que o que me acontece aqui é irreal ou surreal, portanto partam do princípio que o que vão ler será sempre assim, ok? :)
Nesta passagem de ano a Carla, a Rita e eu tínhamos combinado ir ao Lago Niassa fazer um passeio comunitário e passar a noite lá com pessoal que vinha de Lichinga para fazer a festa. No entanto, e como seria de esperar em África, nunca nada corre como se espera…
Partimos no sábado de manhã e logo nos vimos confrontados com a primeira decepção: chovia a potes no caminho para o Lago. No entanto, nem a chuva nos demoveu da nossa demanda: era para o Lago que íamos, e para o Lago fomos!
Ao chegarmos a chuva era tanta que nem sair do carro conseguíamos. No entanto, assim que acalmou um pouco a Carla e a Rita foram ao banho à chuva. Eu, mais medricas, esperei que a chuva parasse e só depois fui tomar banho nas águas tépidas e mornas do Lago Niassa, uma superfície de água com quilómetros que nunca mais acabam que mais parece o oceano. De facto, o sol põe-se na água exactamente como acontece na Costa, o que deve tornar o espectáculo ainda mais fantástico.
No entanto, sábado não era um dia de sol, mas sim de chuva. Apesar de ter parado, as nuvens continuavam a olhar ameaçadoras por cima das nossas cabeças, pelo que decidimos regressar a Lichinga para passarmos a noite de Ano Novo na cidade, onde nos poderíamos abrigar caso chovesse, situação que não acontecia no Lago, pois a passagem de ano seria na praia. No regresso demos uma de bons samaritanos: um chapa (uma carrinha que faz os serviços de autocarro entre as localidades) estava completamente atolado no matope (lama, para quem não se lembra) e sem a mínima possibilidade de sair dali só com os ocupantes a empurrar. Parámos o carro e fizemos um verdadeiro teste às capacidades do nosso Musso, e, para sermos verdadeiros, tenho que dizer que ele passou o teste com distinção. Puxámos o chapa para fora do buraco em que se tinha enfiado e arrastámo-lo ribanceira acima até uma zona a partir da qual ele já conseguia seguir viagem por ele próprio. Foi mesmo alucinante, porque o matope era tanto que a carrinha, que não tinha tracção às 4 rodas, não conseguia agarrar as rodas ao chão de maneira nenhuma, limitando-se a deslizar pelo matope arrastada pelo nosso carro. Quando chegámos lá acima, os ocupantes e o motorista estavam verdadeiramente agradecidos, porque antes de nós já imensos jipes e pick-ups tinham passado por eles e nem sequer tinham parado para perguntar se eles precisavam de ajuda. É a diferença de quem é leigo e quem não é…:)
Regressámos com mais não sei quantos quilos de matope nas botas e nas rodas do carro, mas também com o espírito bem mais cheio por termos ajudado a quem precisava, afinal aquilo que nos propusemos fazer quando viemos para cá.
De regresso a Lichinga, fomos comer um petisco ao Ponto Final por ser uma noite especial e dirigimo-nos à Gold Night, a discoteca local, com alguns jovens do grupo de jovens, para passarmos o fim de ano. Foi uma noite de dança e alegria como há muito não tinha: os moçambicanos sabem como dançar e como se divertir, e isso ficou provado nesta noite. Aprendemos a dançar passada com eles e também nos divertimos imenso. Apesar de todas as trocas de planos e de invenções à última da hora, foi um fim de ano excelente.
Para terminar da melhor maneira, todos vocês estiveram comigo em sonhos: sonhei que vocês tinham vindo ter comigo e que eu vos andava a apresentar ao Bispo, à equipa missionária, enfim, a toda a gente daqui. Foi para terminar a noite em beleza…;-)

sábado, dezembro 31, 2005

Miss Niassa 2005...

Há uns dias atrás recebemos um convite para irmos assistir à eleição da Miss Niassa 2005 ao cinema ABC. Assim que recebemos o convite decidimos que isto teria de ser uma actividade obrigatória para assistirmos, pois pensávamos que deveria ser bastante divertido. Nem imaginávamos nós aquilo que nos estava reservado para essa noite……
Chegámos à hora marcada, 18h00, para verificarmos que afinal estava tudo atrasado e não valia a pena ir para lá antes das 20h00. “Sabes que nós moçambicanos e os horários não funcionamos muito bem”, informou-me o porteiro. Voltámos para casa, regressámos às 20h30 e encontrámos o espectáculo prestes a iniciar.
A sala de cinema do ABC é relativamente grande, com um palco no fundo que serve para passar filmes e para eleger misses, entre muitas outras funcionalidades. Este palco estava decorado com umas faixas de tecido amarelas, vermelhas e azuis claro e escuro colocadas ao alto (bastante decorativas, mas sem grande sentido estético…). Nessas faixas podia ler-se Miss Niassa 2005 e Niassa Entertainment, a entidade promotora do evento. O que se passou nas 3h30 que se seguiram foi algo de surreal (já sei que uso muitas vezes esta expressão nos meus posts, mas não arranjo outra melhor). Vou dar-vos conta de alguns aspectos, mas é daquelas coisas que só mesmo visto, contado não tem metade da piada:
- A apresentadora era um prato: muito encavacada, sem jeito nenhum para falar e com um montão de papeis com os nomes dos patrocinadores do evento que citou algumas 500 vezes durante toda a noite;
- O grupo de dança era um espanto. Apesar de não terem fatos à altura nem propriamente uma coreografia muito bem ensaiada, a maneira como se mexiam e como dançavam deixava qualquer grupo português bem organizado e bem vestido a um canto. A alegria que transmitem e o prazer puro que se sente que eles estão a ter quando dançam é verdadeiramente impressionante;
- Quando estávamos sentados a assistir calmamente ao espectáculo, chega-se a apresentadora ao pé de nós e pergunta-me se não me importava de fazer parte do júri…:) pois, eu pensei o mesmo que vocês (…LOL…) mas era mesmo verdade o que estava a acontecer. Eles não tinham ninguém no júri e estavam a arranjar o júri naquela altura. É importante frisar que esta eleição ia permitir à vencedora participar no concurso de Miss Moçambique e depois num concurso internacional, logo não deveria ser uma coisa preparada em cima do joelho, mas estamos em Moçambique… Lá fui para o júri perdido de riso e cumpri com a minha função;
- Existiam três desfiles: traje tradicional, de praia e de gala. As nove concorrentes desfilavam e nós, júri, tomávamos as nossas notas;
- A Diva foi a cantora convidada para animar a noite. Ela vinha de Nampula e digo-vos sem qualquer receio: podia bem ter ficado por lá…:) ;
- No final dos desfiles e das perguntas de cultura geral (tipo: “qual é a faixa etária mais afectada pelo SIDA? Os Jovens….., ou seja, perguntas de elevada exigência intelectual) fomos convidados a fazer a nossa eleição para 2ª Dama de Honor, 1ª Dama de Honor e Miss Niassa, uma vez que as escolhas para Miss Simpatia eram feitas pelas concorrentes e para Miss Fotogenia pelo fotógrafo de serviço. No entanto, o impensável voltou a acontecer: para Miss Simpatia havia um empate entre duas candidatas, e a organizadora pediu que fossemos nós a desempatar. Ao ver o papel com as votações delas, reparei que as 9 candidatas tinham dado 10 votos…:) no entanto, fui mesmo o único a preocupar-me com isso, uma vez que no resto do júri ninguém achou estranho ou percebeu o que se estava a passar (sim, eu tentei explicar, mas acho que eles não perceberam mesmo, por isso não insisti muito). Quando foi para se decidir, e uma vez que as duas que estavam empatadas eram duas das vencedoras, o resto do júri decidiu premiar outra qualquer, sem qualquer critério nem juízo: “Olha, pode ser esta aqui, a nº8” – sem mais nem menos;
- No final foi o anúncio das vencedoras (queriam que fosse eu a anunciar e a entregar os prémios, mas felizmente estava um gajo no júri que gostava muito de dar nas vistas e não se importou quando lhe passei a ele por causa das minhas dores de garganta…;-) ) e a gota de surrealismo da noite: assim que se anunciou a vencedora, toda a gente se levantou e saiu. Reparem que a ordem de acontecimentos não foi anúncio, aplausos, entrega da faixa, agradecimentos e saída, mas sim anúncio, saída das pessoas e entrega da faixa quando toda a gente estava a sair. Mas é que até o resto do júri se levantou e começou a sair e a cerimónia acabou mesmo por ali, sem mais nada……:);
Foi realmente mais um episódio muito sui generis desta terra de que gosto cada vez mais, apesar de todas estas coisas. Coisas destas só mesmo em Moçambique…
Já agora, a vencedora foi a Ronaz Sarif, uma jovem de 17 anos aqui de Lichinga, mas de etnia indiana.
Entretanto amanhã estamos de partida para o Lago Niassa para passarmos o ano novo, pelo que ficam aqui também os desejos de umas boas entradas para todos quantos ainda virem este post este ano.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

E assim foi…


Depois de muita festa e animação vividas na eucaristia da consoada, era chegado o momento da tão esperada choradeira colectiva…
Cada um de nós abriu as encomendas que as nossas queridas famílias nos tinham enviado, e sem darmos por isso, sorrisos e lágrimas tomaram conta de nós…
Os sorrisos deveram-se a todos os doces deliciosos que nos mandaram (como podem ver na fotografia!), e as lágrimas a todas as palavras bonitas que saltavam emocionadas das cartas dos nossos familiares.
Claro, que nesses momentos, a saudade aperta mais e sabe bem sermos consolados uns pelos outros.
Afinal, aqui em Lichinga, já existe uma família muito unida que sabe amar, não só os que nos fizeram vir para cá, mas os de cá de casa e que vivem como um só. A Rita, o Ricardo e eu temos partilhado tudo: tristezas, alegrias, dúvidas, certezas e certamente muitas outras coisas que nos farão crescer e tornar esta missão ainda mais especial!

segunda-feira, dezembro 26, 2005

As diferenças de cá para aí…

Aqui há dias, o Padre Joaquim comentava comigo que as pessoas aqui no Natal só sabiam andar às compras e era uma loucura. Só para perceberem as diferenças e rirem como eu: em Lichinga não há lojas sem ser tipo mini-mercados, nas quais se compra comida e alguns itens de luxo. Além disso, são 7 ou 8 as lojas em toda a cidade, todas bem separadas umas das outras. Para acrescentar, metade da população da cidade não tem possibilidades financeiras para comprar nessas lojas, limitando-se a fazer compras no mercado. Podem portanto imaginar agora o stress de compras que existe por cá. Tudo parecido com o Almada Fórum………..:)
Aparte tudo isto teve lugar no dia 24 à noite a fabulosa missa da Vigília, para a qual andei duas semanas a ensaiar……… foi um momento verdadeiramente fabuloso, mais de 2 horas de puro êxtase religioso. Não, não estou a falar da minha voz, como é claro, falo de toda a envolvência da celebração: as músicas, as danças, os dançarinos, o respeito, tudo o que de melhor se poderia esperar.
A celebração teve, a meu ver, dois pontos altos: o primeiro foi na Acção de Graças, um verdadeiro momento em que o ambiente que se vivia entrava por dentro de nós de uma forma incrível. A música era um louvor a Maria, como vocês poderão facilmente entender pela letra:

Tikutamandani
Mayi wa mpulumusi
Mudakonda anthu
Pawamikha mulungu


Coro : a may maria
Maria maria Tikutamandani
Tikutamandani maria maria oyera (2v)

Ndimutu maria

Nthamanda ya kummawa
Muwala pakhomo
La ku paradizo

Ainda tem mais quatro estrofes, mas acho que dá para perceberem o sentido (ou então não!!!). A animação foi uma coisa espantosa, indescritível, a música penetrava nos ouvidos com a força imprimida pelo som dos batuques. De arrepiar!!!!!!
Depois houve o segundo momento, bastante mais surreal e marcante: o final da missa, com o beijar do menino e a saída das pessoas. Imaginem um camião de comida que chega a uma aldeia fustigada pela fome: era mais ou menos assim que as pessoas se comportavam na fila (se é que aquilo era uma fila) para beijar o menino. Completamente fora da nossa realidade…..:)
Depois foi a dança no final da missa: enquanto as pessoas saíam a animação no coro era mais do que muita. Quando só ficámos nós e as freiras começámos todos a dançar no meio da igreja como se estivéssemos numa pista de dança, sempre ao som dos batuques. E sim, eu também estava a tocar batuque, não foi só para a fotografia…depois desse momento de pura diversão fomos todos para a rua dançar e cantar, e tudo porque Jesus nasceu e se tornou Homem neste dia (não foi bem neste, mas vocês percebem a mensagem…). São as diferenças do Natal em África e do Natal em Portugal.

sábado, dezembro 24, 2005

Não há longe nem distância...



Há pouco, depois de falar com os meus pais ao telefone e de saber que todos andavam na vida que eu também partilhava até há um ano atrás, bateu-me uma saudade que só me dá vontade de ficar a noite toda a olhar para a parede do meu quarto…
No entanto, sei que me ia arrepender amargamente de ficar uma noite fechado no quarto sem viver o Natal em Lichinga, né?
As saudades de todos são muitas, e a vontade que tenho de estar aí com vocês também é grande. Ou melhor, ideal mesmo era vocês estarem aqui comigo, era bem melhor…;)
Mas como não é possível aquilo que farei é contar-vos tudo o que passou para que possam aproximar-se de cá um pouco. Além disso, peço que façam o mesmo para que também me possa aproximar daí…
Desejo que todos passem um feliz Natal e possam gozar bem a vossa família ou quem escolheram para passar estes dias.
Tenho-vos a todos no meu coração (e na parede do meu quarto também, como podem ver….:) ) e acreditem que sinto tanto a vossa falta como nunca imaginei que poderia sentir. Todos os sorrisos, todas as conversas que tínhamos, a ida ao lar de Costas de Cão, às Cáritas de Setúbal, a missa do Galo, o tocar o salmo para a minha linda, o estar à volta da fogueira, ver o meu pai à porta da igreja, mesmo quando diz que não põe lá os pés ;-), irmos sair a seguir porque é dia de festa e tem de se festejar, estar com a minha família no dia de Natal, com a minha princesa, estar com a Maria Joaquina das Couves que tantas saudades me faz ter dela, passar o final do dia de Natal com os amigos na Costa a jogar snooker ou a passear na praia. Enfim, tudo aquilo a que estava habituado e que este ano não tenho. Não sei se choro ou se rio, porque tanto me dá vontade de uma coisa como de outra. O que sei é que rezo por vocês assim como espero e sei que rezam por mim.
O Natal aqui vai ser diferente, mas nesta parte será sem dúvida pior do que se o passasse aí. Na outra parte, aquela que possivelmente me marcará para o resto da vida, darei conta mais tarde, noutro post. Sim, porque eu gosto muito de escrever e vocês, que tanto visitam o nosso blog, só me dão realemtne vontade de escrever mais. Portanto, a culpa é toda vossa….:)
Epá, já chega, tenho que parar de escrever!!!!!! Um santo e Feliz Natal para todos, com muita alegria e amor.

Um Natal diferente...

“A menina de pé descalço não conhecia o natal que nós vivemos, aí no Ocidente.
No seu Natal, não existiam sapatinhos a enfeitar a árvore, estrelas a iluminar o caminho dos reis magos até ao menino, ou a corrida às compras na véspera da grande consoada… Ao contrário de tudo isto, a menina só tinha um único ritual nesta época festiva: ficar junto da esteira onde estava deitada a sua mãe, e cuidar dela porque estava doente há já alguns anos. E a menina de pé descalço era o seu pequeno anjo da guarda, que a amava como ninguém.
Naquela noite tão especial, e depois de adormecer a sua mãe, a menina resolveu ir lá para fora olhar para o céu e embalar-se nas estrelas. Não havia nada que lhe desse mais prazer... Estar a contemplar e a sonhar: com um natal num futuro melhor, onde a sua mãe estaria saudável e feliz ao seu lado…”.



Espero que todos os meus anjos da guarda tenham um Feliz Natal e um Excelente 2006! Neste meu natal tão especial vou pensar em vocês, olhar para as estrelas e pedir para que revelem ao mundo o melhor que têm nos vossos corações!

terça-feira, dezembro 20, 2005

A Lição da Catequese

Hoje tive uma oração comunitária muito especial: a chorar.....:) Começámos a falar sobre nós e sobre as nossas vidas lá e acabei por passar a oração toda a falar sobre o meu grupo de catequese. Lembrei as festas que fizemos – as danças, as músicas, as dádivas, as línguas de fogo, o sentimento... – e não resisti a derramar uma lágrima de saudade. São momentos complicados, estes que vivemos cá, quando nos lembramos de pessoas que são tão importantes para nós. Vocês são o meu orgulho, todos vocês, por tudo o que fizeram e por tudo o que cresceram. Agradeço a cada um de vós tudo o que de bom me deu e só espero ter retribuido o melhor possível. Sei que estão à nossa espera para o Crisma, e sei que quando chegar a altura estarão mais do que preparados para fazer uma celebração inesquecível nas vossas vidas.
Uma palavra de agradecimento também para todos os pais: foram um exemplo de entrega e abnegação para com os vossos filhos (lembram-se dos teatros que fizeram? :) ) que me impressionou e que me deixou com bastante esperança no seu futuro.
Sei que isto tudo parece muito lamechas, mas bateram as saudades em grande e não resisti a vir aqui deixar-vos um miminho.....:)

segunda-feira, dezembro 12, 2005

A ida ao Baeta...

A vida em comunidade é feita destes pequenos momentos de alegria e divertimento. Hoje, por acharmos que já tínhamos umas gadelhas de meter medo ao susto, a Carla e eu resolvemos ir ao barbeiro. No entanto, como vivemos em pobreza e simplicidade de vida (e porque em Lichinga não há barbeiros ou cabeleireiros com condições de higiene e qualidade de mãos para isso, mas este motivo não interessa para nada), resolvemos tomar o assunto pelas próprias mãos. Assim sendo, elegemos a Rita como a cabeleireira de serviço. O resultado, como se vê pela foto, foi brilhante, mas mais importante do que isso foi mesmo o momento de diversão e convívio que se viveu. Também é destes momentos que se faz a missão.

A minha primeira operação STOP

Como em todo o mundo (ou quase…), em Lichinga também há polícias de trânsito. Nas duas estradas que entram na cidade (sim, são apenas duas, uma em cada ponta da cidade) está todos os dias uma patrulha que controla todo o tráfego que entra e sai da cidade. Os polícias passam ali o dia, apoiados nas suas metralhadoras (sim, isto acontece mesmo, não é uma figura de estilo, eles colocam as armas apoiadas no chão com o cano virado para cima e apoiam-se no mesmo), a conversar com quem passa e a fazer operações STOP.
Ora, hoje à noite, quando vínhamos para casa, aconteceu a minha primeira operação STOP. O polícia mandou parar-me e o que aconteceu a seguir foi tão incrível que tive de vir para aqui escrever. Transcrevo abaixo toda a conversa:
Polícia: Boa noite, como está?
Eu: Boa noite, eu estou bem e você, como está?
P: Estou bem, obrigado. Então e que novidades tem para contar?
E: Nada de especial. Está uma noite linda e vamos descansar, que o dia chegou ao fim.
P: Então e o fim-de-semana, como está a correr?
E: Muito bem. Estamos a aproveitar para descansar da semana de trabalho. O senhor é que não pode descansar este fim-de-semana. Quem sabe no próximo descansa…
P: Amanhã já tou a descansar, só trabalho hoje.
E: Ah, ainda bem…
P: Então e não me trouxe nenhuma novidade da cidade?
E: Desculpe?!?!?!?!
P: Se não me trouxe nada da cidade?
E: Eu não sabia que o senhor estava cá. Se soubesse… (risos)
P: Muito bem. Então ficam já aqui, não é? (O sitio onde os polícias estão é para aí a 100 metros de nossa casa)
E: Sim, é verdade, vamos descansar mais um pouco.
P: Ok, então boa noite!
E: Boa noite e bom trabalho.
E arranquei, perdido de riso, com elas as duas a rirem-se à grande no carro.
Acho que não precisa de grandes explicações, né? Apenas dizer que estou em Moçambique... :)
(Para os mais distraídos, não, não me pediram sequer os documentos…)

domingo, dezembro 04, 2005

Mais perto do Céu!!



Por vezes, é preciso nos sentirmos perdidos no mundo para aprendermos o que realmente deve ser aprendido…

Estar em missão faz-me acreditar que para vivermos verdadeiramente temos que conseguir permanecer em nós mesmos, isto é, entrarmos no mais profundo do nosso ser e deixarmo-nos estar… Sem pressas e em silêncio. Só assim seremos capazes de escutar com o coração…
São nesses momentos que ganhamos a coragem necessária para voarmos sem rumo e atrás do que somos e do que sonhamos… Até que, a certa altura, e sem darmos por isso, entramos no infinito do outro que, inexplicavelmente, passa através de nós. E em conjunto, como se de um milagre se tratasse, conseguimos transformar duas complexidades numa janela de simplicidade!
Missão é olhar com transparência e humildade para tudo o que faz de mim a pessoa que sou, e oferecer isso mesmo aos outros. Assim, tudo o que se irá construir entre nós será mais puro, mais bonito… Porque certamente juntos nos sentiremos mais perto do céu!...

terça-feira, novembro 22, 2005

O primeiro grande desafio


Além dos projectos em que estamos inseridos e pelos quais estamos responsáveis, somos encorajados a escolher, no local e tendo em conta as necessidades existentes e a nossa disponibilidade de tempo, actividades pastorais que nos permitem chegar mais perto da comunidade em que estamos inseridos. Estas actividades vão desde as mais tradicionais como dar catequese ou estar com o grupo de jovens até algumas que poderão ser consideradas mais alternativas. Ora como eu gosto pouco do tradicional e habitual, tinha que me calhar o fora do normal. Pois é, a primeira pastoral que já assumi querer fazer é um acompanhamento a todos os níveis – espiritual, de formação humana e tudo que for necessário mais – num local que à partida e se eu estivesse em Portugal nunca pensaria frequentar: a cadeia...:)
Pois é, fiquei tão tocado pelo trabalho desenvolvido lá pela Leonor e pela Irmã Fernanda, que lá dava catequese mas que agora vai para Portugal, que não resisti a dar-lhe continuidade. Não sei ainda bem quantos dias lá vou passar nem que tipo de coisas específicas vou fazer, mas a certeza é esta: vou assumir um projecto que tem tudo de aliciante e de invulgar. Não sei o que vou encontrar, pois os presos variam muito e os que trabalharam com a Leonor estão quase a sair para dar lugar a outros. Mas acho que vai ser interessante. Também se não achasse não tinha aceite, né?

domingo, novembro 20, 2005

Os nossos inquilinos...


África é um continente muito diferente daquilo a que estava habituado. As diferenças são a todos os níveis, até nos bichinhos que encontramos a passear por nossa casa. Esta simpática aranha é um exemplo daquilo que se encontrar por aqui. Ainda pensei em levá-a para o meu caro amigo Cederico, que de certo teria agradecido, mas mantê-la aqui dentro de um frasco durante um ano não me pareceu boa ideia. Compreendes, né, Ced? :)

sábado, novembro 19, 2005

Presos de Alma livre...


As actividades pastorais a que nos dedicamos durante a missão são escolhidas por nós já no terreno, conforme as solicitações e a disponibilidade de tempo que os projectos que encabeçamos nos deixam.
A Leonor, que termina agora o seu ano de missão, escolheu como pastoral dar formação de Direitos Humanos e Cidadania na Cadeia Provincial do Niassa. Durante alguns meses esteve na cadeia a falar sobre direitos humanos com indivíduos que possivelmente até estariam presos por terem negado esses direitos a algumas pessoas. Fez trabalhos de grupo, desenhos, enfim, uma série de coisas que culminaram numa exposição de trabalhos – desenhos, poemas, textos, considerações – cujos resultados me deixaram verdadeiramente impressionados. Além disto fez a gravação de um CD do grupo coral da cadeia: uma série de músicas religiosas cantadas por um grupo de presos negros com cara de maus…muito bom, muito bom mesmo. Não deixa de ser curioso pensar como é que um grupo de presos, condenados por motivos bem diferentes, mas graves na sua maioria, pode ao mesmo tempo demonstrar uma espiritualidade que os leve a querer gravar um CD de música religiosa…
Mas o melhor está mesmo guardado para o fim. Hoje fomos à missa de encerramento da formação. A Leonor convidou-nos para irmos assistir e posso dizer que dificilmente vou esquecer este dia: a celebração foi presidida pelo Padre Joaquim, o pároco da Catedral, zona onde a cadeia está inserida, e foi recheada de uma espiritualidade para mim sem precedentes. Um grupo de presos de cara dura, marcada pelas vicissitudes do tempo, sentado na pouca sombra que aquele pátio oferecia, entoava cânticos a Deus com uma alma e com uma vida como eu nunca ouvi. As suas vozes, graves pois não havia mulheres a cantar, entraram dentro dos meus ouvidos e encheram-me a alma de uma forma impossível de descrever. Era realmente difícil para mim imaginar que viria para África assistir a uma missa dentro de uma cadeia com um grupo de presos que cantam melhor do que alguma vez ouvi um coro cantar. Pode parecer exagero, e secalhar até será, mas foi o que senti, e é sobre isso que escrevo neste blog, sobre o que vejo e o que sinto no momento em que vejo. Exagero ou não, a verdade é esta: até na cadeia Deus está presente. E foi com muita emoção misturada que ouvi um deles afirmar no momento de acção de graças que não era por estarem a sofrer o que estavam a sofrer (referia-se ao afastamento da família, à permanência numa cadeia de 60 pessoas com 300 lá instaladas, ou a qualquer outro motivo que os fizesse sofrer) que deixavam de acreditar em Deus ou que deixavam de rezar!!!!! Tudo isto quando nós andamos a vida toda a queixarmo-nos de tudo aquilo que sofremos na nossa vida do dia-a-dia e que Deus não ajuda…brutal, não?
Deste grupo de 37 cristãos que assistiam à missa, apenas 11 eram baptizados e apenas 4 desses tinham a primeira comunhão. Pouco, poderão pensar? Sim, mas quando vos mostrar os vídeos poderão compreender um pouco mais. A religião e a evangelização nem sempre se fazem de grandes grupos. Por vezes, é nos grupos mais pequenos que se deve perder mais tempo, pois são esses que conseguimos tocar mais profundamente.
Finalmente, no final da missa, seguiu-se a parte mais caricata: foi pedido à Leonor que dissesse umas palavras de despedida e de agradecimento, mas ela estava muito emocionada e para se safar sugeriu que cantássemos uma música. No entanto, quando começámos a cantar a Carla e a Rita calaram-se porque não a conheciam e a Leonor só cantava de vez em quando, quando conseguia chegar ao tom. Logo tão a ver a experiência má que aqueles presos tiveram de ouvir a mim e à Leonor em part-time a cantar o Obrigado……….bom, habituado a barracas como já estou (nada até hoje bateu o Impele a tua própria canoa da Inês….:) ) aquilo foi até ao fim, mas coitados dos presos, além de estarem presos ainda terem que me ouvir cantar……há coisas que um homem não aguenta!!!

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